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O reconhecimento do Imprio Romano PDF Imprimir E-mail

Tivemos um filósofo brasileiro, falecido na década de 80, que era um verdadeiro gênio. Seu nome, Huberto Rohden. Quando jovem ele esteve na Alemanha e, na época, escreveu um livro de filosofia em alemão impecável. Enviou a obra a um editor que a aceitou incontinenti. Mandou chamar o autor para firmar contrato de edição. No entanto, quando Rohden abriu a boca o editor percebeu tratar-se de brasileiro e voltou atrás, recusando-se a editar o livro. “De brasileiros nós não compramos cultura. Compramos só café”, disse o preconceituoso editor.

Muitos anos depois, os livros do escritor brasileiro DeRose – sobre comportamento, ficção, pensamentos, boas maneiras, romance, culinária, biografia, filosofia – foram oferecidos a uma agente literária. Sua observação a respeito do conteúdo dos livros: “Eu não aceito livros escritos originalmente em línguas terciárias.” Hoje os livros desse autor estão publicados em vários países e já venderam mais de um milhão de exemplares, mas é provável que a preconceituosa agente literária especificasse que não aceita livros de brasileiros. Mesmo que sejam sucesso de público em diversas nações.

Ah! Ter nascido no Império Romano facilita tanto a vida deles que dá até raiva! Certa vez, eu estava lendo um livro publicado em New York e encontrei um trecho muito ilustrativo. Confessou a autora: “Este livro não teria sido possível sem a nossa agente, Helen Forson Pratt, que nos juntou, e sem a nossa editora, Annetta Hanna, que acreditou que um livro sobre nada poderia vir a ser alguma coisa.” Você leu corretamente. Ela disse “um livro sobre nada”! E eu concordo. Trata-se de um livro sobre nada, que ganhou o mundo e foi traduzido até para o português. E se fosse o contrário? Se esse livro “sobre nada” tivesse sido escrito por um latrino-americano? Teria ele sido traduzido para outras línguas, teria sido publicado em New York, teria sequer sido editado no seu país de origem? Dificilmente.

Por que um ensinamento como a nossa revolução comportamental não está mais difundido no Brasil? Sabemos que em alguns países ele está crescendo e tornando-se relevante, mas noutros ainda é pouco conhecido. Como pode uma cultura tão forte, tão bonita e tão autêntica, não estar mais notabilizada? Por que seu sistematizador não é mais reconhecido no seu país? Primeiramente, porque ninguém é profeta em sua própria terra. Mas há outros fatores. Somos latino-americanos e temos muito baixa estima. Para algo ser bom tem que vir de fora. Por isso alardeamos nos anúncios: “produto importado”, como isso bastasse por si só para ser melhor. Por outro lado, o mesmo fenômeno cultural ocorre de fora para dentro, ou seja, os que se intitulam Primeiro Mundo e a nós, Terceiro Mundo, também alimentam esse tipo de discriminação. Quem viaja pela África e pela maior parte da América Latina e da Ásia fica indignado ao perceber que o Brasil não poderia em hipótese alguma estar classificado como Terceiro Mundo, ao lado daquelas nações canhestramente desestruturadas.
Isso nos faz pensar. Praticamente tudo o que no Ocidente conhecemos e incorporamos no nosso passado, está restrito à cultura greco-romana. O direito que utilizamos é o Direito Romano, a língua morta de referência é o latim e “o mundo todo” a que nos referimos quando dizemos que Napoleão conquistou o mundo, é o mundo romano. Até a cultura grega, chegou a nós através dos romanos, que colonizaram e anexaram a Grécia ao seu Império.

O Cristianismo chegou a nós através do Império Romano que estava lá em Jerusalém quando tudo aconteceu e, progressivamente, absorveu suas propostas. Tudo o que era incorporado ou aceito pelo Império Romano passava a “existir” e teria direito a ser perenizado. O que ficasse restrito a outras culturas estava destinado à desconhecença por parte do restante da civilização e seria condenado ao ostracismo pela História. Quantas descobertas cruciais para a Humanidade ocorridas entre os babilônicos, sumérios, drávidas, etruscos, gauleses estão simplesmente perdidas, apenas porque não foram escritas em latim!

Atualmente, restringimo-nos aos registros em inglês. O que conhecemos do Egito ou da Índia, é porque foi escrito ou traduzido originalmente para o inglês. Só conhecemos o Kama Sútra porque o inglês Richard Burton o traduziu para a sua língua. Só conhecemos os Tantras porque o magistrado britânico Sir John Woodroffe os traduziu para o inglês. O Bhagavad Gítá, traduzido em 1784 por Charles Wilkins, é um dos muitos textos que vieram a se tornar mais populares na própria Índia depois que foram passados para o idioma britânico. Assim ocorreu com todas as demais escrituras hindus vertidas para o inglês: os Vêdas, o Yôga Sútra, etc.

No início do século XX, havia um Mestre chamado Ramana Maharishi , que vivia em Arunachala, Tiruvanamalai, a uns 200 quilômetros ao Sul de Madrás. Nunca ninguém ouvira falar dele, embora fosse um grande sábio. E teria passado pela terra em brancas nuvens, sem que jamais a história registrasse sua existência ou o valor do seu ensinamento, se um anglo-saxão, Paul Brunton, não tivesse, um dia, visitado seu ashram e escrito sobre ele.
Esse é o caso do curare, que os índios brasileiros durante milênios usavam para pescar e que na segunda metade do século XX foi descoberto pela literatura em inglês, passando a ser adotado no mundo todo como anestésico nas grandes cirurgias.

Esse também é o caso dos bacteriófagos que os soviéticos vinham utilizando há quase um século no lugar dos antibióticos, com muito mais eficiência e menos inconvenientes, mas ninguém tomava conhecimento pelo fato de a literatura não estar escrita em inglês (“se não está escrito em inglês, não é ciência.”)!
Assim sendo, queremos parabenizar aqueles que estão traduzindo nossos livros para outros idiomas, pois é preciso que o ensinamento do Swásthya Yôga fique indelevelmente impregnado na cultura mundial das gerações que nos sucederão.

 

 
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